Olá, pessoinha(s)
É ótimo, eu tenho um nome para a banda, nome para cd e 12 músicas para ele que estão até na ordem em que aparecerão... agora só falta a banda. Sim, eu tenho grandes planos... só não tenho um grande apoio. To louca atrás de pessoinhas pra bandar(?) comigo, mas ta difícil. Enfim, até achar alguéns pra formar uma banda (tenho todas as fichas apostadas no meu colégio novo, não só em relação a isso) vou focar em fazer outras musiquinhas e aprimorar as que já estão lá. Uma coisa que me incomoda é que, por eu ouvir muitas coisas diferentes, minhas influências não tem nada a ver umas com as outras e por isso minhas letras ficam todas diferentonas. Aí não tem aquela homogeneidade que eu gosto. Não da nem pra definir que tipo de música eu faço. Ta né... bem, eu sou estranha e todos já sabem.
Ok, mudando de assunto... escola? Não, deprimente demais. Romances? Que romances? Histórias? To começando uma meio “cult”, assim por dizer, que ta divertida, mas não sei o quão sério vou levar. No momento minhas histórias são minhas músicas mesmo.
É isso. Agora eu vou jogar gamão que nem a boa velhinha de asilo no corpo sedentário de uma garota de quinze anos que sou.
Beijos, cuidado com os gummy bears
News
Criado por Lyla às 15:14 0 pessoas simpáticas responderam ao post
Arco-íris Monocromático
Não seja talvez o que eu queria antes
Outro dia tão certa e confiante
Padece eternamente num instante
Memória de um presente distante
Adágios que não fazem sentido
Dominam o coração socorrido
Não sabem que ele quer o infinito
Ele não o sabe, interrompido
Gritos jovens em agorafobia
Domados todos em claustrofobia
O sábio alega que não sabia
A dança e o choro se confundem
A alegria e a tortura se difundem
Com a exigência de que estudem
Esse é mais ou menos novo. Eu gostei o/ Demorou para conseguir acertar a palavra monocromático, antes saia monocromado.
Criado por Lyla às 11:15 0 pessoas simpáticas responderam ao post
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De Volta, Mores
Ok, acho que devo algumas explicações... Simplesmente cansei. É isso mesmo, eu tava animadona e pah, tinha até gente que tava comentando mas depois encheu o saco e aparentemente vocês também cansaram.
Enfim, agora eu resolvi voltar e pretendo continuar pelo menos até que não tenha mais o que falar. E, aliás, eu não vou continuar colocando o V&C aqui. Continuo escrevendo e estou até gostando, mesmo sendo crepusculento demais, mas nem ia colocar tudão aqui mesmo. Esperem até sair nas livrarias hehe
Agora eu vou colocar alguns poemas novos, se surgir alguma boa, crônicas e pah. Espero que de certo, estou contando com vocês (e comigo mesma, não é como se eu fosse a pessoa mais dedicada do mundo).
Beijos,meliga! Vejo vocês por aí... Ah, por sinal agora eu tenho twitter, e estou viciada. O mundo dá voltas enormes, né?
Criado por Lyla às 08:30 1 pessoas simpáticas responderam ao post
V&C // 7
Carolina acordou no dia seguinte com o tênue facho de luz que escapou das cortinas do quarto. Sua primeira visão, do quarto escuro e vazio, a remeteu à primeira noite que passou lá. Lembrando-se da noite passada, virou o corpo para o outro lado, mas Gautier não estava lá. Franziu o cenho e levantou-se. Vestia uma regata preta e um short que mais parecia uma cueca samba-canção, então antes de qualquer coisa voltou para seu quarto e trocou de roupa – para um jeans e blusa pólo rosa.
Uma vez na sala, não tendo encontrado Gautier, cruzou os braços e sentou-se no sofá, resmungando alguns xingamentos.
“Ele pode sair quando bem entender sem dizer nada, mas eu tenho que ficar trancada aqui como se o próprio ar da rua fosse me matar.” Murmurou, talvez um pouco alto demais. De cabeça baixa, não pôde ver o vampiro até que ele estivesse em pé na sua frente.
“Pare de se fazer de vítima. Pensar que eu estava fora é um ótimo exemplo do por que você não deve sair. Se eu estivesse na rua neste momento, já teria sido torrado.”
“Sinceramente, isso seria um alívio.” Resmungou, embora estivesse feliz de vê-lo. Preferia que ele agisse mais como na noite passada, mas começou a pensar que talvez ele não tivesse aquele temperamento porque a odiava, mas porque se importava com ela.
“Mas já que provavelmente não acontecerá até esta noite, eu só queria avisar que vou sair, ok?”
“Para onde?” ele retrucou, imediatamente.
Carolina hesitou, encarando-o: “Ta zoando que eu tenho que dar o relatório completo, né?” O silêncio de Gautier foi sua resposta; Carolina rolou os olhos e disse que iria se encontrar com sua irmã num bar, contou-lhe o que aconteceu e que ela já sabia.
“Que estranho... O normal seria você tê-la matado.” Comentou, indiferente.
“O que?” ela exclamou, preocupada.
“Eu imaginei que isso acabaria acontecendo... é o seguinte, da primeira vez que o vampiro, bem, se alimenta, ele tende a drenar a pessoa, pois seu corpo ainda não se ajustou ao novo metabolismo. Você deve ter uma boa força de vontade para ter conseguido parar. Faremos o seguinte: antes de irmos para esse tal bar, paramos no caminho e arrumamos um lanche.”
“Espera... por que no plural?” ela interrompeu. Gautier riu. “Você não achou sinceramente que eu a deixaria ir sozinha, não é?”
Carolina não respondeu de pronto. Depois, mansa, disse, se levantando em seguida: “Eu não sei o que passou pela minha cabeça, é claro que você é só um francês egoísta e narcisista.”.
“Ei!” ele segurou seu braço, a impedindo de deixá-lo sem se explicar. “O resto eu entendo, mas o que minha nacionalidade tem a ver com isso?”
Carolina sorriu, abatida. “Foi mal, eu achei que você tinha mudado, só isso.”
“Por causa de ontem?” riu “De que outra forma eu conseguiria te calar?” exclamou. Chorosa, Carolina se soltou e foi com passos largos até seu quarto. Bateu a porta o mais forte que conseguiu e sentou-se na cama. Pegou seu celular e começou a ver fotos de sua família e amigos. Sentiu nostalgia, mas não exatamente por causa do que tinha perdido, mas por causa do que não tinha ganhado. Decepcionou-se muito com seu “tutor”, queria poder nunca mais vê-lo, queria poder não ter conhecido o Gautier da noite anterior – que, ela tinha certeza, era real –, mas isso não seria possível.
Cansada de se depreciar, parou de ver e rever as fotos. O relógio do celular marcava cinco e quarenta da tarde, o sol estaria se pondo em alguns minutos... Mas mesmo assim ela provavelmente não sairia nem mesmo do quarto, não com Gautier, e essa parecia ser a única opção. A menos que, pensou, houvesse outra forma. Sorriu, voltando o olhar imediatamente para a janela do quarto. Mal podia esperar pelo pôr do sol, e tinha um grande sorriso estampado no rosto. O simples pensamento de escapar daquele lugar pelo menos por algumas horas a reanimava.
Assim que a claridade do lado de fora, com exceção do brilho do poste de luz, não penetrava mais no quarto, Carolina abriu a janela e olhou para baixo, analisando suas possibilidades. Aquilo não seria tão fácil quanto tinha imaginado, apesar de aquele ser o primeiro andar, era bem alto. A janela dava para o pátio do prédio, do lado do estacionamento. Sua única chance de conseguir fugir por lá era ficar em pé sobre o parapeito, descer um pouco para cima da caixa do ar-condicionado e pular no canteiro de flores no pátio. Ela não morreria, mas poderia se machucar se algo desse errado. De repente a garota começou a se perguntar se aquela era realmente uma boa idéia, mas, ao olhar para trás, para o quarto, concluiu que qualquer coisa era melhor que aquilo. Trêmula, pôs o corpo para fora da janela e ajeitou-se no parapeito. Seu coração batia forte, nunca foi de tomar riscos como aquele, mas àquele ponto era uma questão de honra. Respirou fundo e pulou, esquecendo-se de passar pelo ar-condicionado primeiro. O impacto foi forte, ela caiu encima do braço esquerdo, mas a distância foi suficiente somente para causar alguns arranhões – e, o que a preocupava mais, sujar a blusa de terra. Já em pé, olhou para a janela e sorriu. Temendo que Gautier tivesse ouvido algo, correu para fora do prédio.
Ainda era seis horas da tarde quando ela fugiu, o que lhe daria tempo mais que suficiente para aproveitar sozinha o ar fresco daquele início de noite de verão. Carolina foi atraída pela brisa agradável vinda do mar de botafogo, sentou-se num banco próximo à praia e tentou se esquecer de tudo o que acontecera na última semana. Por pelo menos alguns minutos, o pensamento mais significativo que teve foi que provavelmente a maresia iria estragar seu cabelo.
Criado por Lyla às 06:15 0 pessoas simpáticas responderam ao post
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V&C // 6
O relógio da rua marcava sete e quinze da noite, o sol tinha acabado de se pôr e as ruas ainda estavam bem movimentadas. A garota estranhou aquele novo ambiente, o barulho, as pessoas, os carros... Conviveu com aquilo sua vida toda, mas foram cinco dias reclusa que a fizeram se desacostumar com tudo. Ela tinha gostado do silêncio, mas ficou aliviada em voltar à civilização.
“Ta tudo bem?” Gautier perguntou, olhando fixamente para Carolina.
“Ta.” concordou. O prédio onde ele morava ficava perto da rua que dava para a praia de Botafogo. Ele a guiou até a esquina, onde pegaram um táxi. “Gautier,” ela o chamou, assim que entraram no carro e ela disse ao motorista as coordenadas “por que você está sendo tão compreensivo?”. Essa pergunta pairava na sua mente desde a tarde, ela não entendia como alguém podia mudar tanto tão rapidamente, e se ele continuaria daquele jeito. Gautier sorriu.
“Eu já passei por isso, já vi outras pessoas terem que se despedir de seus pais e seus filhos. Mas não se preocupe, assim que isso tudo acabar eu vou voltar a ser o insensível arrogante que eu sei que você ama.” Carolina riu. “Pelo menos é só por alguns meses, depois tudo pode voltar ao normal. Ou algo parecido.”
“Não,” meneou a cabeça, um pouco mais reanimada “não vai.”.
“Como assim? Eu lhe disse que poderia voltar para sua casa depois de alguns meses.”
“Eu sei, mas eu decidi não voltar. Hoje só vou me despedir.” Vendo que Gautier continuava sem entender, continuou: “As coisas nunca vão voltar ao normal, todos vão me olhar torto na faculdade, eu vou perder o meu estágio...”.
“É só conseguir outro, você é inteligente.”
“Não é só isso. E se tudo der certo e eu terminar a faculdade normalmente? Só vou poder trabalhar à noite, não vou poder manter meus amigos, pois haverá mil complicações. E, de qualquer jeito, com os anos eles nem me reconhecerão mais, meus pais não me reconhecerão.” Gautier assentiu em silêncio.
“Esse é um pensamento bem responsável, você não está considerando só si mesma, mas os outros à sua volta. Mas o que você dirá aos seus pais?”
“Que eu precisava de um tempo para pensar. Não levei celular e não percebi o tempo passando. Decidi que vou me mudar e trancar a faculdade. O que acha?”
“Seria mais convincente se você tivesse se apaixonado por um francês rico e ido morar com ele.” sorriu. Carolina fez o mesmo, depois.
“Se eu contar a história verdadeira não tem graça.” disse, debochada.
“Assim você me dá esperanças...” sorrindo, ambos se entreolharam. Gautier estava sentado de lado para poderem se falar melhor, eles estavam bem próximos. Trocaram palavras em forma de olhares por alguns momentos, até que ele envolveu-a com o braço aproximou mais seu rosto ao dela. No instante em que seus lábios estavam prestes a se encontrar, o táxi fez uma curva brusca, e Gautier voou para o outro lado do banco. Ela não conseguiu evitar rir, ele acabou rindo também, embora Carolina tivesse notado um toque de constrangimento em seu sorriso. Não mais de dois minutos depois eles chegaram à fachada do prédio onde ela morava – o tempo verbal empregado corretamente nesse caso. Era um prédio pouco alto, mas com muitos apartamentos, os de trás tinham vista para os vestígios de uma mata atlântica que deixava o interior dos apartamentos mais fresco.
Ela pediu para Gautier esperar do lado de fora, disse que não demoraria muito. Na entrada do prédio, o porteiro olhou para a garota com descrença, ela o cumprimentou como se nada tivesse acontecido, e continuou seu caminho. Assim como quando ligou para casa, hesitou antes e, assim que teve coragem para tocar a campainha, sua mãe abriu a porta de pronto. Mal olhou para o rosto da filha, e correu até ela, a envolvendo num abraço apertado. Paralisada, Carolina não pôde retribuí-lo, quando Vânia se deu conta de que estava sufocando a filha, a soltou.
“Nós ficamos tão preocupados, pensávamos que você tinha sido seqüestra...da” Vânia começou com uma exclamação, hesitou, e mal conseguiu terminar aquela última palavra, depois de olhar melhor para a filha. Seu cabelo tinha perdido o brilho, os olhos pareciam mais claros e fundos e, o mais óbvio, sua pele nunca foi tão pálida, que ressaltava mais ainda a cicatriz recente em seu pescoço. A própria Carolina não tinha conhecimento disso, então não entendeu a reação de sua mãe. Poucos segundos depois, seu pai, Ricardo, apareceu à porta e foi ao encontro da jovem. Ele por si não viu todas as diferenças que fizeram Vânia se perguntar, alarmada: o que aconteceu com a minha filha?
“Carol, que bom que você está aqui...” os olhos de Ricardo brilhavam, ele estava muito feliz por não ter acontecido nada sério com ela, mas nem depois de ter pensado que a perdera se aproximou fisicamente. Em toda a sua vida, Carolina se recordava de ter ganhado três abraços de seu pai, um na infância, depois de um acampamento em que ela passou duas semanas fora de casa – sua primeira viajem sem os pais –, um na sua festa de quinze anos, depois da valsa, e quando ela passou para a PUC. No táxi, ela pensou que ganharia seu quarto abraço naquela noite, e ficou muito decepcionada quando isso não aconteceu. Ele a amava, era um ótimo pai, só não conseguia mostrá-lo.
De qualquer forma, ganhou mais um abraço naquela reunião. Logo depois do pai ter aparecido, Mariana, sua irmã, a apertou, se possível, ainda mais forte que sua mãe. Depois de estarem os quarto juntos novamente, entraram todos no apartamento. Mariana começou a falar incansavelmente, fazendo várias perguntas uma emendada na outra, sem dar tempo para Carolina responde-las. Sinceramente, achou melhor assim, pois não saberia como fazê-lo.
“Gente, eu preciso falar com vocês.” anunciou, com a cabeça baixa – não conseguiria mentir daquela forma olhando nos olhos de seus pais. Estes franziram o cenho e se entreolharam.
“Está tudo bem, Carol?” Ricardo perguntou.
“Não...” ela sussurrou “quero dizer, está, mas eu preciso falar logo com vocês.” Sentou-se em um dos sofás de couro da sala e esperou que sua família fizesse o mesmo. Seus pais se sentaram cada um em uma cadeira de frente para ela, e Mariana ficou do seu lado. “É o seguinte: o motivo pelo qual eu sumi esses dias todos foi porque eu precisava de um tempo para pensar, eu não imaginei que fosse causar esse problema todo.”
“Pensar sobre o que?” interferiu Ricardo, impaciente com a demora da filha para dizer logo onde queria chegar.
“Sobre o meu futuro. Eu tenho quase dezenove anos, e acho que está na hora de ir morar sozinha. Nos próximos meses ficarei na casa de uma amiga, e depois vou arrumar um apartamento para mim. Mas eu preciso de independência.”
“Você? Independência? Ta zoando, né?” Mariana exclamou, sem reparar a seriedade da situação. Vânia a encarou com repreensão, embora ainda não estivesse pronta para falar com Carolina e, mudadas as proporções, concordasse com Mariana.
“Você... está dizendo que vai embora, assim de repente?” Ricardo questionou.
“Sim. Eu vou hoje mesmo, só vim para avisá-los e pegar as minhas coisas.”
“E como você pretende pagar por esse seu apartamento? Vai largar a faculdade? Eu não vou pagar mil e porrada reais para você sair e nunca mais falar conosco.”
“Eu não disse que vou sumir assim definitivamente! E vou trancar a faculdade por alguns meses, depois vou voltar.” Ela pensou que Ricardo fosse continuar a contrapondo, mas dissera tudo o que precisava, restando apenas seu olhar de censura. Carolina meneou a cabeça e levantou-se. “Eu não preciso explicar nada para vocês, sou maior de idade e posso fazer o que quiser, com licença.”
Ela os deixou, na companhia de suas dúvidas, e foi para sua quarto, arrumar uma mala só com roupas e algumas coisas suas. Fechou a porta, mas pouco tempo depois Mariana entrou e se sentou na cama, onde estava a mala, já metade cheia.
“Isso é sério mesmo?” perguntou, melancólica. Carolina assentiu, sem olhar para ela. Mariana era sua melhor amiga, sua confidente. Era ainda mais difícil se despedir dela do que de seus pais, especialmente porque sabia que elas eram parecidas no sentido de serem muito emotivas, se apegarem às pessoas. “Mas... e eu?”.
A pergunta quebrou o coração da irmã mais velha. Ela parou de pegar roupas aleatórias de seu armário e jogar na mala e finalmente olhou para Mariana; tentou esboçar um sorriso para acalmar a irmã, mas não foi muito bem sucedida.
“Eu não vou sumir, assim da forma como você deve estar pensando. Eu só vou ficar um tempo fora, mas isso não significa que não possamos nos ver de vez em quando.”
Mariana sabia que ela só estava dizendo aquilo para consolá-la, não se manifestou. Carolina parou de arrumar as malas – àquele ponto já eram duas – e vários pensamentos invadiram sua mente. Ela queria muito dizer para a irmã a verdade, especialmente porque ela a amaria. Ao contrário de sua irmã mais velha, apreciadora de música brasileira, praia e grifes, Mariana ouvia rock, freqüentava shoppings e estava sempre de preto. Se soubesse que vampiros existiam, ficaria extasiada.
Mas já que não podia contar, Carolina quis pelo menos abraçá-la mais uma vez, antes de partir. Aproximou-se e estendeu os braços para a garota. Mariana hesitou, mas foi ao encontro de sua irmã. No meio do abraço, ela começou a ouvir um barulho parecido com um batimento cardíaco do lado de seu ouvido. Estranhando, ela virou o rosto e ficou de frente para o pescoço de Mariana. Era ela; Carolina podia ver sua veia claramente, sentir o cheiro de sangue fresco. Suas pupilas se dilataram, ela perdeu o controle de si mesma e já não pensava direito, movida pela necessidade de alimentar-se.
Meu Deus! O que eu fiz? Ela se perguntou, ao voltar a si e se afastar da garota. Sentiu o sangue na sua boca e, enojada, o cuspiu no chão.
“Ah!” Mariana gritou, um grito agudo e, se Carolina não tivesse tapado sua boca, prolongado. Seu pescoço estava vermelho, mas não sangrava, a marca dos furos quase não era visível. A boca da jovem vampira, no entanto, cheia de sangue como se tivesse levado um soco.
Mariana estava em estado de choque, com os olhos arregalados, encarou a irmã até que ela se manifestasse e a soltasse.
“Você ta bem? Eu te machuquei?” exclamou, preocupada.
“O que... o que foi isso?” Mariana gaguejou.
“Eu não sei.” Sussurrou a outra. Correu até a mesa de cabeceira do quarto e pegou um lenço de papel para limpar a boca; Mariana a seguiu e olhou fixamente para seus dentes.
“Eu juro que não bebi hoje...” ela murmurou, meneando a cabeça. Assustada, Carolina virou-se rapidamente. Mariana sorriu, com os olhos brilhantes: “Isso é real? Quero dizer, eles?”
“Infelizmente. Olha, não posso te explicar nada agora, me encontre no Zé Bob amanhã às oito horas. E, pelo amor de Deus, não conte para ninguém.” Murmurou, antes de sair apressada do quarto com as malas.
Na sala, seus pais ainda se encontravam sentados, sussurrando algo que Carolina não conseguiu ouvir. Quando a viram, pararam de falar e se levantaram. Seu pai parecia decepcionado e sua mãe ainda alarmada.
“Nós esperávamos mais de você...” Ricardo começou. Carolina não se sentiu no direito de contrapô-lo, ela também esperava mais de si mesma. “Essa é a sua última chance de nos dizer a verdade. E então?”
“Eu já disse--”
“Não essa desculpa ridícula que você inventou. O que houve nesses últimos dias?” ela sentia como se fosse começar a chorar incontrolavelmente a qualquer momento, mas sufocou sua vontade de dizer a verdade, afinal, aquilo não tinha a ver só com ela, mas com toda uma raça, com Gautier.
“Eu não quero passar mais um segundo nessa casa, não quero mais ser sua filha.” Sem esperar por uma resposta, deu as costas e saiu do apartamento. Depois que a porta do elevador já tinha se fechado atrás dela, Carolina caiu sentada no chão e tapou o rosto com as mãos. Aquela foi a coisa mais difícil que já teve de fazer, não só pelo fato de ser uma completa mentira, mas porque seria uma mentira incorrigível. Ela nunca poderia dizer a verdade; seus pais teriam que conviver com aquela realidade falsa pelo resto de suas vidas, e Carolina, com o peso daquela noite pela eternidade.
Saiu do prédio de cabeça baixa, sentindo o peso do mundo em suas costas. Gautier ainda estava do outro lado da calçada, encostado no táxi, a esperando. A calma em seu rosto, sua expressão quase indiferente... Carolina sentiu raiva dele, afinal, ele era o culpado. Andou firme até ele, largou as malas e lhe deu um tapa no rosto. Gautier obviamente não esperava por aquilo, ficou atordoado e olhou para ela esperando uma explicação.
“Isso é tudo culpa sua! Se não fosse você e essa sua porcaria de beber o sangue alheio eu ainda seria normal, eu estaria na minha casa, com a minha família.” Gritou a garota; as lágrimas finalmente começaram a descer.
“Fala mais alto, eu acho que a velhinha no teatro ainda não ouviu.” Ele exclamou, preocupado.
“Eu falo o que eu quiser no tom que quiser, você arruinou a minha vida.” Gritou mais uma vez, embora que sua intenção não fosse expô-lo.
Enquanto Carolina explodia seus pulmões, Gautier a puxou para perto pela blusa e a beijou de forma que ela mal conseguiu terminar a frase. Retribuiu o beijo, sentindo logo os braços dele a envolverem pela cintura de forma que não restou um centímetro entre os dois. Assim que conseguiu acalmá-la, Gautier a soltou e guiou até dentro do carro, guardou as malas e foi para seu canto no banco de trás do táxi. Carolina parecia completamente fora de si, embora tivesse por alguns segundos se esquecido de tudo o que acabara de acontecer, durante a volta os sentimentos de tristeza e arrependimento retornaram para assombrá-la.
As luzes dos carros e postes do outro lado da janela começaram a ficar embaçadas, sentindo que estava prestes a começar a chorar novamente, Carolina buscou a mão de Gautier e a apertou, sem olhar para ele. Entendendo o recado, ele também a segurou. O caminho da Gávea para Botafogo pareceu eterno e, quando finalmente terminou, Carolina não estava mais em estado de choque, e conseguiu sair do carro e pegar as malas sozinha. Enquanto o fazia, Gautier pagava o taxista. Entregou-lhe a quantia exata que o taxímetro indicava, mais uma nota de cinqüenta reais e duas de vinte. Esperou que o motorista olhasse diretamente para seus olhos, e sussurrou:
“Vá tomar um chope... Tente se esquecer desse rosto.” Saiu do táxi antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e foi ao encontro da garota. Ela ficou em silêncio e evitou seu olhar até chegarem ao apartamento. Então, foi direto para seu quarto.
Gautier achou melhor não tentar falar com Carolina, cada um lida com aquela situação de uma forma, e ela não parecia querer companhia. Algumas horas depois, no entanto, ela bateu na porta de seu quarto. Gautier já estava deitado, mas foi de pronto atende-la. Carolina, sem jeito, disse que não queria ficar sozinha. Ele entendeu e a deixou entrar. Uma vez os dois deitados na mesma cama, ele tentou ficar o máximo possível afastado dela, mas Carolina foi se aproximando ao longo da noite e, antes de ambos caírem no sono, encontravam-se abraçados.
Criado por Lyla às 08:58 0 pessoas simpáticas responderam ao post
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Vai Ficar Para O Chá?
Eles convidaram a morte para uma breve visita,
Mas foi na minha casa que ela resolveu morar.
Quem se mata, mata também os que o circulam,
E são estes os que choram, obrigados a suportar.
Não há filho que agüente, não há mãe que resista,
Ao ver a face pálida do amado em seu novo lar.
No entanto, a morte mais penosa é aquela que fica,
E com um sorriso diz que será sua nova família.
Quando a cada ligação você se pergunta se é decisiva,
Você acaba se acostumando com a idéia.
Chega então o dia em que nossa amiga bate na porta,
E com um sorriso perguntamos se ficará para o chá.
Provavelmente o meu único poema que não é um soneto, gosto dele mesmo assim. Tentei evitar, mas eventualmente tive que colocar um poema emo aqui..
V&C // 5
Gautier acordou algumas horas depois, a luz do dia ainda brilhava forte do lado de fora do prédio. Sua cabeça latejava, e tudo o que ele queria fazer era tomar uma xícara de café, embora não pudesse. Essa era uma das piores coisas de ser vampiro, na sua opinião: não poder comer. Mais especificamente, não poder beber café nem mais de duas taças de vinho por dia. No entanto, valia a pena. Ele já viajou pelo mundo todo em diferentes períodos no tempo, já conheceu inúmeras pessoas interessantes, das quais ele lembra por nome.
Levantou-se assim que acordou, foi para o banheiro e jogou água no rosto. Trocou de roupa e saiu. Resolveu não acordar Carolina de pronto, ela já tinha dormido bastante nos últimos dias, mas não convinha interromper seu metabolismo. Quando a luz do sol já não penetrava no apartamento pelas frestas entre uma cortina e outra, Gautier entrou no quarto onde a garota estava dormindo. Imaginei que ela encontraria a televisão... concluiu consigo mesmo. Foi até a cama e sentou-se na ponta do colchão. Carolina estava encolhida, parecia sonolenta, mas tinha os olhos abertos. Só se moveu depois que Gautier se aproximou, enxugou os olhos discretamente – não estavam mais vermelhos, mas ela ainda sentia todas as lágrimas lá, como se elas tivessem deixado um rastro por seu rosto – e também se sentou, do lado dele.
“Está pronta?” ele perguntou, sua voz quase tão suave quanto da primeira vez que se viram. Sua intenção era de cutucá-la até ela se levantar e continuar com sua indiferença, mas sabia que ela estava sofrendo. Carolina meneou a cabeça rapidamente. “O que houve?”
“Você sabia que eu estou no noticiário?” perguntou, séria. Gautier hesitou, depois assentiu. “Por que não me disse nada? Por que não ligou para os meus pais ou para a polícia dizendo que eu estava bem?”
“Pense bem: eu tinha acabado de lhe dizer que vampiros não só existem, mas que você agora é um. Você sinceramente gostaria de saber que seus pais tinham iniciado uma busca por você? Não haveria nada que pudéssemos fazer. E de que adiantaria a ligação de um homem estranho dizendo que você está bem, que não foi seqüestrada? No mínimo eles rastreariam a ligação e viriam aqui levar-lhe embora. Provavelmente pensariam que eu estava em busca de alguma recompensa.”
Carolina ficou em silêncio, não respirava nem piscava os olhos, isso não era importante. “Ta certo, foi mal. Já é de noite, eu posso ligar para eles?”.
“Pode.” Gautier entregou a ela um celular “Já sabe o que vai dizer?”.
“Sei.” afirmou, decidida. Gautier saiu do quarto para lhe dar privacidade. Na verdade, Carolina preferia que ele ficasse lá, estava nervosa e não tinha certeza se conseguiria fazer aquela ligação sozinha, mas algo a impediu de pedir para ele ficar.
Hesitou ao digitar o número do telefone de sua casa, por pouco se esqueceu dos últimos números, mas lembrou-se, por fim, e ficou algum tempo com o dedo no botão de discar, sem coragem de pressioná-lo. Seria mais fácil pedir para Gautier ligar para seus pais dizendo que ela estava morta, mas aquilo era algo que somente ela podia fazer. O telefone não tocou muito, sua mãe, Vânia, atendeu quase que imediatamente, parecia cansada, mas alerta.
“Mãe...” sua voz saiu fraca, Vânia hesitou.
“Carol?” exclamou, incrédula. Parecia estar chorando.
“Sou eu. Está tudo bem, eu estou bem.” Ela passou o dia todo pensando no que diria a sua mãe e, quando a hora finalmente chegou, se esqueceu de tudo. Vânia também não sabia por onde começar, se dizia o quanto ficou preocupada, a saudade que sentiu, ou se perguntava onde a filha estava, para poder ir busca-la. “Houve alguns imprevistos, eu estou na casa de um... amigo. Voltarei para casa esta noite. Me desculpe por não ter dito nada, eu não estava com o meu celular e--”
“Não importa, filha. Não importa. O importante é que você esta vindo para casa, que você está bem. Venha o mais rápido possível.”
“Eu vou. Assim que anoitecer.”
“Eu te amo.”
“Eu também te amo.” Uma lágrima escorreu de seu olho, aquilo pareceu uma mentira, toda aquela conversa. Estava dando esperanças falsas a sua mãe, mas não queria dizer todo o resto por telefone. Despediu-se singelamente e desligou. Saiu do quarto logo em seguida, a procura de Gautier. Ele estava na sala, sentado no sofá.
“Vamos?” ele perguntou, levantando-se. Carolina assentiu.
Criado por Lyla às 17:43 0 pessoas simpáticas responderam ao post
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